Iniciar sessão

Navegar para Cima
Instituto de Investigação
em Vulcanologia e Avaliação de Riscos
Última hora:
  • Ilhas do grupo Central em alerta laranja referente a precipitação (SRPCBA/IPMA)Atividade sísmica no arquipélago dos Açores encontra-se, em geral, dentro dos níveis normais de referência



Regionais

 

ERUPÇÃO - ERUPÇÃO - Avaliação do impacto de erupções vulcânicas explosivas na economia do mar, no turismo e na agricultura e suas repercussões no sistema económico e no bem-estar social nos Açores

Coordenador Científico


Gabriela Queiroz

Investigador Responsável/CVARG


Resumo


​O desenvolvimento das áreas urbanas, rurais e infraestruturas de lazer e animação em torno de vulcões ativos tem conhecido um aumento significativo nas últimas décadas. As regiões vulcânicas, predominantemente localizadas ao longo de zonas costeiras ou constituindo ilhas, oferecem condições propícias ao crescimento económico e a uma melhor qualidade de vida, fruto do estabelecimento de atividades assentes em critérios ambientais de excelência e do facto de a riqueza dos solos vulcânicos potenciar a agricultura e a sustentabilidade das regiões. No reverso da moeda, a atividade vulcânica é um dos perigos naturais que maior impacto sócio-económico pode causar, ao afectar grandes áreas dos domínios terrestre, marítimo e aéreo, atingindo simultaneamente pessoas, animais, edifícios e infraestruturas básicas, bens móveis e terrenos.

A resposta da sociedade a esta ameaça tem sido fundamentalmente reativa e os estudos científicos que se têm realizado não têm tido a aplicação prática desejável. Tal constatação é bem visível quando se analisam os resultados de eventos eruptivos recentes e ganha particular expressão quando tal se regista em ambientes insulares. Nos Açores, testemunho recente é o da erupção de 1957-1958, no vulcão dos Capelinhos, ilha do Faial, cuja actividade sísmica associada à erupção, assim como a queda de cinzas, provocaram avultados prejuízos materiais em habitações, a inutilização de campos agrícolas e de pastagens na parte ocidental da ilha e a emigração de cerca de 50% da população, isto é, mais de 15 mil pessoas. Na ilha britânica de Montserrat, nas Caraíbas, após cerca de 300 anos de quietude vulcânica, o vulcão Soufrière Hills, entrou em atividade em 1995, gerando escoadas piroclásticas e escoadas de detritos (lahars), num conjunto de fenómenos que ainda hoje, duas décadas depois, perduram. Esta erupção levou à destruição completa de Plymouth, a capital, atingindo habitações, edifícios públicos, o único hospital, o aeroporto, a rede viária e as mais diversas infraestruturas básicas. Mais de 11 mil habitantes foram evacuados para a parte norte da ilha e grande parte destes acabou por emigrar para as ilhas vizinhas ou deslocar-se para o Reino Unido. As perdas associadas a este evento estão calculadas em cerca de 1 bilião de libras e a ilha continua económica e socialmente devastada. Mais recentemente, está ainda na memória de todos o caso da erupção do vulcão islandês Eyjafjallajökull, em 2010, que teve um impacto significativo quando as cinzas emitidas isolaram a Islândia e levaram à interdição do espaço aéreo Europeu durante largos períodos de tempo. Foram cancelados 108 mil voos que afetaram 7 a 10 milhões de passageiros. A erupção provocou elevados prejuízos económicos na Islândia e as suas repercussões fizeram-se sentir em vários países, com um total de perdas estimadas em cerca de 4.7 biliões de dólares americanos.

Apesar das evidências, continuam a ser escassas as situações em que os resultados científicos se traduzem em instrumentos de planeamento de emergência suscetíveis de mitigar o impacto económico e social das erupções vulcânicas. Se este aspeto é preocupante em regiões continentais, torna-se crítico em regiões insulares, onde os mecanismos de resposta a situações de emergência têm de basear-se em recursos locais, devido à muito provável inoperacionalidade de aeroportos e portos. Acresce que sob o ponto de vista das atividades económicas e do bem-estar social, este tipo de ocorrências em ilhas leva a situações de rotura ou mesmo de colapso e as suas repercussões podem estender-se a todo um arquipélago, dependendo da magnitude da erupção e do seu impacto. Uma tal realidade observa-se nos Açores, onde a inexistência de planos especiais de emergência de proteção civil para risco vulcânico sustenta a necessidade do projeto que se propõe.

O projeto tem por objetivo geral avaliar o impacto de uma erupção vulcânica na economia do mar, no turismo e na agricultura, tendo em vista identificar e criar mecanismos para a mitigação do risco de rotura ou colapso do sistema económico e do bem-estar social regionais, no caso de se registar um evento desta natureza. Em termos práticos, possibilitará definir os parâmetros e as medidas adequadas à preparação de Planos de Especiais de Emergência de Proteção Civil (PEEPC) para o risco vulcânico nos Açores, um tipo de instrumento que não existe na região e que é indispensável ao seu desenvolvimento sustentável.

No global, o projeto envolve pesquisa bibliográfica e recolha de elementos sobre história vulcanológica, desastres naturais, ordenamento do território, atividades económicas, censos diversos e informação estatística de caráter geral e específico. Adicionalmente, serão empregues diferentes metodologias ao nível das várias áreas científicas cuja apicação é necessária para o estudo. No domínio da vulcanologia serão utilizadas técnicas de cartografia e estratigrafia, georreferenciação e modelos probabilísticos baseados em sistemas de informação geográfica para o desenvolvimento de simulações computacionais e a criação de cenários eruptivos. A avaliação económico-social dos recursos naturais afetados pelos eventos modelados será feita com base em métodos apropriados para a valorização económica dos recursos naturais, designadamente, o método de avaliação contingente, o método dos preços hedónicos e o método das preferências dos utilizadores.


Outros Investigadores


Outras Instituições


Ficha de Projecto


ERUPÇÃO
Avaliação do impacto de erupções vulcânicas explosivas na economia do mar, no turismo e na agricultura e suas repercussões no sistema económico e no bem-estar social nos Açores
Entidade financiadora: FEDER e FSE
Investigador Responsável: Gabriela Queiroz (IVAR)
Duração: 2016 - 2019
Total: 119.133,60€

Data de Início

15-09-2016
Data de Encerramento

14-09-2019

Anexos


Unidades Científicas Operacionais