Iniciar sessão

Navegar para Cima
Instituto de Investigação
em Vulcanologia e Avaliação de Riscos
Última hora:
  • Sismo de magnitude 1,5 sentido com intensidade III na ilha de S. MiguelSismo de magnitude 2,0 sentido com intensidade IV na ilha de S. MiguelAtividade sísmica no arquipélago dos Açores encontra-se, em geral, dentro dos níveis normais de referência



Teses ► Mestrado

 

Referência Bibliográfica


SILVA, R.F. (2018) - Desenvolvimento de um protótipo computacional para análise e cartografia automática da suscetibilidade a movimentos de vertente. Dissertação de Mestrado em Vulcanologia e Riscos Geológicos, Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade dos Açores, 127p.

Resumo


​A utilização de linguagens de programação para a criação e automatização de processos torna possível analisar e avaliar a sensibilidade de algoritmos relativamente à introdução de diferentes dados de entrada e/ou à alteração de parâmetros de modelação. Tais processos tendem a criar uma quantidade muito elevada de resultados, que dificilmente poderiam ser produzidos e analisados através de métodos mais tradicionais.

Neste sentido, foi criado e testado um protótipo computacional, desenvolvido em linguagem MATLAB, denominado por ALSA-Tools (Automatic Landslide Susceptibility Analysis Tools) que permitiu a análise e produção de cartografia automática da suscetibilidade a movimentos de vertente, baseado no método estatístico bivariado Valor Informativo. Face à automatização de processos e à possibilidade de criar pequenas alterações no processo de modelação, foi possível compreender e quantificar os efeitos e variabilidade dos resultados da análise da suscetibilidade promovidos pela: i) discriminação (ou não) da tipologia de movimentos de vertente; ii) utilização de diferentes combinações de fatores de predisposição; e iii) incapacidade do território produzir condições únicas de terreno, a partir de determinado número de fatores de predisposição adicionados aos modelos, e consequente a incapacidade de melhorar a qualidade do ajuste dos modelos aos dados de entrada.

Para testar o protótipo computacional foi selecionada uma área que corresponde, grosso modo, à freguesia do Lajedo (ilha das Flores, Açores), um dos locais no arquipélago dos Açores recorrentemente afetado por fenómenos danosos de instabilidade geomorfológica. Para a análise da suscetibilidade a movimentos de vertente foram identificadas e cartografadas, com base em trabalhos de campo e de gabinete, 474 áreas de rutura de movimentos de vertente, das quais 171 correspondem a desabamentos e 303 a deslizamentos, e considerados no processo de análise 12 fatores de predisposição.

A hierarquização efetuada aos diferentes fatores de predisposição, relativamente à sua capacidade para discriminar o território quanto à propensão para a ocorrência de movimentos de vertente, demonstrou que o declive e a geologia correspondem aos fatores que possuem maior capacidade individual de discriminar o território para ambas as tipologias de movimento de vertente consideradas. Os restantes fatores de predisposição apresentam uma maior variabilidade desta capacidade com a tipologia de movimento de vertente considerada, comprovando a existência de relações diferenciadas entre as diferentes tipologias e os fatores de predisposição.

Com a aplicação ALSA-Tools foi possível aplicar o método do Valor Informativo a todas as 4.095 combinações de fatores de predisposição possíveis para cada tipologia. Assim, foi possível concluir que, para a área de estudo, a combinação de fatores que apresenta melhores resultados, para ambas as tipologias, foi desenvolvida com apenas sete fatores de predisposição. Adicionalmente, verificou-se que este conjunto de fatores não é composto pelos sete fatores de predisposição que apresentam individualmente melhor capacidade de discriminar o território relativamente à suscetibilidade, mas sim por uma combinação de fatores que apresentam muita heterogeneidade relativamente a esta capacidade.

Com o ALSA-Tools foi efetuado o estudo da variação dos valores de área abaixo da curva das curvas de sucesso e do número de condições únicas de terreno observadas e esperadas de acordo com o número de fatores predisposição que constituem cada modelo. Tal possibilitou demonstrar, de forma inequívoca, a incapacidade de o território gerar invariavelmente novas condições únicas de terreno com a sucessiva adição de fatores de predisposição, estando tal condicionalismo diretamente relacionado com a impossibilidade de sistematicamente melhorar a qualidade do ajuste dos modelos aos dados de entrada, com a adição de novos fatores de predisposição.

Os modelos com melhor qualidade para cada tipologia foram validados através da definição de curvas de predição e respetivas áreas abaixo da curva, tendo sido atestada a robustez estatística do inventário e a boa capacidade preditiva dos modelos. No caso dos desabamentos foi determinada um valor de área abaixo da curva de predição de 0,84 e para os deslizamentos de 0,79.

A análise realizada aos IGT que regulamentam a área de estudo incidiu sobre a presença ou ausência de componentes de caracterização do perigo e/ou análise da perigosidade e/ou risco de movimentos de vertente. Concluiu-se que a maioria dos IGT relevam a importância da avaliação dos riscos naturais, sem, no entanto, incluir qualquer cartografia de suscetibilidade, perigosidade ou risco que delimite áreas com maior ou menor propensão para a ocorrência deste tipo de fenómenos.

Neste sentido, foi realizada a avaliação do risco específico à rutura de desabamentos e deslizamentos. Para o caso da rutura de desabamentos, concluiu-se não existir nenhum edifício na classe de suscetibilidade elevada e apenas 1,7% da extensão das vias de comunicação estão abrangidas nesta classe. Quanto à rutura de deslizamentos, verifica-se que 22,4% dos edifícios se encontram em áreas com suscetibilidade elevada e que 36,0% da extensão das vias de comunicação se encontra nesta classe.

Observações


Anexos