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em Vulcanologia e Avaliação de Riscos
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  • Rede do CIVISA regista sismo de magnitude 6,0 em TongaAtividade sísmica no arquipélago dos Açores encontra-se, em geral, dentro dos níveis normais de referência



Teses ► Mestrado

 

Referência Bibliográfica


VIVEIROS, F. (2003) – Contribuição para o estudo dos processos de desgaseificação difusa nos Açores no âmbito da monitorização sismovulcânica e da avaliação do risco: discriminação de factores que influenciam a variação do fluxo do CO2. Dissertação​ de Mestrado em Vulcanologia e Avaliação de Riscos Geológicos, Dep. Geociências, Universidade dos Açores, 140p.

Resumo


O estudo dos gases vulcânicos reveste-se de particular interesse, quer na monitorização sismovulcânica, quer na avaliação do risco para a saúde pública. Existem diferentes tipos de desgaseificação associados a um sistema vulcânico destacando-se, no caso do arquipélago dos Açores, a presença de campos fumarólicos, nascentes de águas termais e frias gaseificadas e zonas de desgaseificação difusa. As principais áreas de desgaseificação situam-se nas ilhas de São Miguel, Terceira, Graciosa, Faial, Pico, São Jorge e Flores.

 

O presente trabalho centra-se no estudo dos fenómenos de desgaseificação difusa relacionados com a emissão de CO2 através dos solos. Actualmente encontram-se instaladas nos Açores quatro estações de monitorização contínua de fluxo de CO2, situando-se duas na ilha de São Miguel, nos vulcões das Furnas (GFUR1) e do Fogo (GFOG1), uma na ilha Terceira, nas Furnas do Enxofre (GTER1) e uma na ilha Graciosa (GGRC1), no interior da Furna do Enxofre. Sendo a desgaseificação difusa através dos solos extremamente sensível à acção de factores externos, tais estações têm acoplados sensores meteorológicos para o controlo das variações da pressão barométrica, humidade relativa do ar, direcção e velocidade do vento, pluviosidade, temperatura do ar e do solo e humidade do solo.

 

Com a finalidade de se discriminarem os sinais originados por factores externos dos relativos ao próprio sistema vulcânico, foram estudadas as séries temporais obtidas pelas estações GFUR1 e GFOG1 entre Março de 2002 e Março de 2003. Neste período, a média dos valores de fluxo de CO2 na estação do Vulcão das Furnas foi de 263,68 g/m2/d e na estação do Vulcão do Fogo de
538,55 g/m2/d.

 

A utilização de métodos estatísticos, nomeadamente a análise de regressão múltipla, permitiu observar que os factores ambientais monitorizados são responsáveis por cerca de 30% da variação do fluxo em ambas as estações, sendo a pressão barométrica e a velocidade do vento os factores dominantes em GFUR1 e GFOG1, respectivamente. A aplicação do modelo preditivo aos três meses seguintes ao período de análise demonstrou que a correlação entre a série de dados prevista e observada é mais elevada em GFUR1 (0,734) do que em GFOG1 (0,209). A fraca correlação observada nesta última poderá dever-se à presença de variáveis externas latentes ou relacionar-se com a actividade sísmica registada em Abril de 2003 no Graben da Ribeira Grande. Com a aplicação da análise de séries temporais, em particular do filtro ARIMA, obteve-se a melhor representação dos valores de fluxo inerentes a cada um dos locais monitorizados.

 

Os resultados obtidos demonstram que as variações dos factores ambientais são suficientes para provocar oscilações consideráveis nos valores de fluxo de CO2 em qualquer das estações. Tal observação tem fortes implicações em termos de risco para a saúde pública, facto que determinou a realização de um ensaio de monitorização da concentração de CO2 no ar atmosférico de uma residência localizada numa das áreas de desgaseificação do Vulcão das Furnas. Neste contexto, detectaram-se variações entre 0,2 e 20,8% atribuídas unicamente à influência dos factores ambientais monitorizados, o que vem realçar o risco a que a população residente nas zonas em causa está sujeita.

Observações


Anexos