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Vulcão extinto Arsia Mons no planalto Tharsis em Marte (Foto: NASA/JPL/USGS)
22-03-2017 09:30
Marte
Estudo revela que atividade vulcânica em Marte é contemporânea da extinção dos dinossauros

​De acordo com um novo estudo da NASA (National Aeronautics and Space Administration – Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço), o vulcão em escudo marciano, Arsia Mons, terá produzido um novo fluxo de lava a cada 1 a 3 milhões de anos durante o pico final da sua atividade. A última atividade vulcânica cessou há cerca de 50 milhões de anos, na época da extinção do Cretácico-Paleogénico, quando um grande número de espécies vegetais e animais na Terra foram extintas (incluindo os dinossauros). 

 
Localizado a sul do equador de Marte, Arsia Mons é o vulcão mais meridional de um trio de vulcões em escudo, suavemente inclinados e coletivamente conhecidos como Tharsis Montes. Arsia Mons foi edificado ao longo de mil milhões de anos, embora os detalhes do seu ciclo de vida ainda estejam a ser alvo de estudo. Acredita-se que a atividade vulcânica mais recente tenha ocorrido na caldeira, local onde foram identificados 29 centros vulcânicos. Até ao momento é difícil precisar quando é que este campo vulcânico se manteve ativo.

 
No entanto, e de acordo com o investigador pós-doutorado no Goddard Space Flight Center da NASA, Jacob Richardson, estima-se que o pico de atividade no campo vulcânico de Arsia Mons terá ocorrido, provavelmente, há aproximadamente 150 milhões de anos, o que corresponde ao final do período Jurássico na Terra. É possível, entretanto, que os últimos episódios vulcânicos possam ter ocorrido nos últimos 50 milhões de anos, o que é muito recente em termos geológicos.

 
O estudo foi apresentado por Richardson ontem, 20 de março, na Lunar and Planetary Science Conference em The Woodlands no Texas. Foi também publicado na revista científica Earth and Planetary Science Letters.

 
Com cerca de 110 km de diâmetro, a caldeira é suficientemente profunda para armazenar todo o volume de água no Lago Huron, e mais alguma. Para estudar as características do interior da caldeira, recorreram à Context Camera da Mars Reconnaissance Orbiter da NASA (sonda norte-americana que tem a finalidade de procurar evidências de existência de água no passado em Marte) da qual resultaram imagens de alta resolução.

 
Esta técnica permitiu à equipa mapear os limites dos fluxos de lava de cada um dos 29 centros vulcânicos e determinar a estratigrafia dos mesmos. Realizaram também uma técnica chamada “contar crateras” que permite contar o número de crateras com pelo menos 100 metros de diâmetro. Através de um novo modelo computacional desenvolvido por Richardson e os seu colegas, conseguiu-se estimar as idades dos fluxos, sendo que os mais antigos datam de cerca de 200 milhões de anos, tendo os mais jovens entre 10 a 90 milhões de anos (provavelmente cerca de 50 milhões de anos).

 
A modelação permitiu ainda estimar o volume de cada fluxo de lava, tendo as aberturas na caldeira do Arsia Mons produzido há cerca de 150 milhões de anos, coletivamente, entre 1 a 8 km3 de magma a cada milhão de anos, aumentando assim e de forma lenta o tamanho do vulcão.

 
Este estudo permite aos investigadores entender a história do planeta Vermelho, bem como a sua estrutura interna, compreender a anatomia e o ciclo de vida dos vulcões daquele planeta. Estes mostram evidências de atividade num período de tempo superior ao dos vulcões da Terra, no entanto os seus mecanismos de produção de magma podem ser muito diferentes.

 


Fontes


Phys Org

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