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Referência Bibliográfica


MARQUES, R., ZÊZERE, J.L., GASPAR, J.L., AMARAL, P. (2009) - Reconstituição e modelação probabilística da escoada detrítica de Vila Franca do Campo desencadeada pelo sismo de 22 de Outubro de 1522 (S. Miguel, Açores). Publicações da Associação Portuguesa de Geomorfólogos, Vol. VI, p. 175-182.

Resumo


​No dia 22 de Outubro de 1522, ocorreu um sismo, de magnitude X (Escala Macrosismica Europeia, EMS-98), com epicentro a 14 km a NW de Vila Franca do Campo. Este sismo desencadeou inúmeros movimentos de vertente em toda a ilha. O maior dos eventos, do tipo escoada detrítica, teve origem num monte sobranceiro à vila, situado a aproximadamente 1,25 km, tendo sido canalizada pelo vale da Ribeira da Mãe de Água, espraiando-se na fase terminal do seu trajecto sobre a vila e atingindo o oceano. A maior parte das habitações foi soterrada, tendo perecido perto de 5000 pessoas.

 

O estudo da escoada detrítica, apresentado neste trabalho, baseou-se na análise de documentos históricos, campanhas arqueológicas antigas e várias campanhas de campo, nas quais se procedeu à identificação do depósito, à sua inserção na estratigrafia do Vulcão do Fogo, bem como à sua caracterização sedimentológica. O depósito abrange uma área de aproximadamente 4,5 km2 tendo sido estimado um volume de cerca de 6,75x106 m3 para o material deslocado. O depósito ocupa uma posição estratigráfica bem definida, sobre os depósitos referentes à erupção pliniana do Fogo-A e da escoada piroclástica associada, provenientes do Vulcão do Fogo, datados de há cerca 5000 BP, e do depósito Furnas C, datado de há 1870 ± 120 BP. Superiormente é truncado pelo depósito da erupção histórica de 1630 AD, também ele proveniente do Vulcão da Furnas.

 

Ainda no âmbito deste trabalho, foi utilizado um modelo de fluxo probabilístico, baseado no algoritmo de Monte-Carlo, para reforçar a localização da fonte do fluxo e obter a área de influência do mesmo. Com os resultados obtidos pelo modelo, e pelo cruzamento dos resultados com a distribuição espacial dos locais estudados, foi possível comprovar a fonte da escoada detrítica que destruiu Vila Franca do Campo, bem como a existência de uma segunda escoada, cuja fonte se localiza a NE da vila.

Observações


Anexos