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em Vulcanologia e Avaliação de Riscos
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  • Atividade sísmica no arquipélago dos Açores encontra-se, em geral, dentro dos níveis normais de referência



Teses ► Mestrado

 

Referência Bibliográfica


HIPÓLITO, A. (2009) - Geologia estrutural da ilha Graciosa – Enquadramento no âmbito da geodinâmica da junção tripla dos Açores. Tese de Mestrado em Vulcanologia e Riscos Geológicos,  Universidade dos Açores, 155p.

Resumo


O enquadramento geodinâmico dos Açores, aliado às suas características geológicas, geoquímicas, geofísicas e às frequentes manifestações de actividade sísmica e vulcânica, tem motivado, ao longo dos tempos, o avanço de estudos multidisciplinares que visam a criação de um modelo coerente que esclareça as particularidades geodinâmicas e cinemáticas que caracterizam a Junção Tripla dos Açores – zona de contacto entre as placas litosféricas Norte Americana, Eurasiática e Núbia.

 

A identificação e caracterização de fontes sismogénicas implicam o reconhecimento das falhas activas geradoras de sismicidade e o estudo da sua actividade, contribuindo para a determinação do regime tectónico patente numa dada região e subsequente elaboração de modelos geodinâmicos. No campo da mitigação do risco, a identificação de áreas sismogénicas pode constituir uma ferramenta a utilizar no ordenamento territorial.

 

O trabalho que se apresenta aborda o tema da neotectónica em regiões vulcânicas e teve como objectivos a realização da cartografia estrutural da ilha Graciosa, a caracterização geométrica e cinemática dos acidentes tectónicos cartografados, a determinação dos campos de tensão responsáveis pelo desenvolvimento das estruturas identificadas e o seu enquadramento no contexto do conhecimento actual da geodinâmica da região dos Açores.

 

A cartografia e a análise geométrica e cinemática dos acidentes tectónicos mostram que a ilha é caracterizada estruturalmente por dois sistemas de falhas. O primeiro sistema (A) é representado por estruturas de direcção NW-SE com mergulho para SW e movimentação oblíqua normal direita ou direita normal, conjugadas de estruturas NNE-SSW com inclinação para ESE e movimentação oblíqua normal esquerda ou esquerda normal. O segundo sistema (B) inclui falhas NNE-SSW a NE-SW com inclinação para WNW a NW e movimentação oblíqua direita normal ou normal direita, para as quais não foram encontradas estruturas conjugadas.

 

Os dados estruturais reflectem uma região afectada por dois campos de tensão distintos, cuja actuação poderá estar isolada no tempo e/ou no espaço. Um campo de tensões I, responsável pela ocorrência do sistema de falhas A, com σ1 (eixo de compressão máxima) horizontal, NNW-SSE a N-S, σ3 (eixo de tracção máxima) igualmente horizontal e orientado segundo ENE-WSW a E-W e σ2 (eixo de tensão intermédia) vertical, permutando este último com σ1 consoante se trata de épocas em que domina um regime tectónico transtensivo ou distensivo (Madeira, 1998). Um segundo campo de tensões, II, é caracterizado por σ1 horizontal, orientado segundo E-W a WSW-ENE, σ3 igualmente horizontal, NNW-SSE a N-S, e σ2 vertical, podendo igualmente ocorrer permuta entre este último e σ1 após eventos de cedência no final de fases transtensivas. Deste segundo campo de tensões resultam as estruturas do sistema de falhas B.

 

A rede filoniana das unidades mais antigas mostra orientações compatíveis com o campo de tensões I, a contrastar com os filões das unidades mais recentes, com orientação concordante com o campo de tensões II. O sistema filoniano que corta as unidades do vulcão central sugere uma distribuição radial em torno do edifício principal. Verifica-se algum paralelismo entre as direcções principais definidas pelo sistema filoniano e pelas falhas identificadas.

 

O campo de tensões I está de acordo com o regime de tensões sugerido por Madeira e Ribeiro (1990) para a Plataforma dos Açores e com o modelo geodinâmico para a Junção Tripla proposto por Madeira (1998) e Lourenço et al. (1998), considerando-se a ocorrência de rotação de σ1 de NW-SE para próximo de N-S junto dos bordos da faixa cisalhada, ao longo da qual é acomodada a deformação interplacas em transtensão.

 

Para o campo de tensões II são admitidas duas conjecturas: (1) a existência de uma região intermédia, em transtensão, que estabelece a transição entre o campo distensivo da Crista Média Atlântica e a região em compressão estabelecida com o afastamento àquela estrutura; (2) a existência (em fases de redução da influência do campo de tensões interplacas) de uma região intermédia, em transtensão, distribuída por uma estreita faixa em torno da zona cisalhada interplacas, definindo um regime de transição entre a região em transtensão direita onde é acomodada a deformação interplacas e o campo de tensões externo distal, compressivo.

 

O facto dos bordos da faixa cisalhada ficarem temporariamente sujeitos ao campo de tensões II, pode ser explicado pela ocorrência de variações da área de influência do campo de tensões local (I), o que se repercute em variações na largura da zona onde é acomodada a deformação interplacas.

 

As soluções cinemáticas apresentadas por recentes trabalhos de geodesia, quando confrontadas com os campos de tensões determinados com base em trabalhos de neotectónica, apontam para a presença de dois campos de tensões. Nas ilhas situadas nos bordos da faixa cisalhada a existência de dois campos de tensões distintos é necessária para explicar: a existência de estruturas tectónicas incompatíveis com um só campo de tensões; a incoerência entre o comportamento cinemático actual sugerido pelos dados GPS e os campos de tensões determinados por análise neotectónica; a ocorrência de movimentações horizontais distintas em regiões da mesma ilha.

Observações


Anexos