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em Vulcanologia e Avaliação de Riscos
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Referência Bibliográfica


HIPÓLITO, A., MADEIRA, J., GASPAR, J.L., CABRAL, N. (2012) - O tsunami de 1 de Novembro de 1755 na ilha Terceira (Açores). Evidências no registo geológico. VII Simpósio sobre Margem Ibérica Atlântica - MIA2012, Lisboa (Portugal) 16-20 Dezembro (Comunicação oral). 

Resumo


 A vulnerabilidade do arquipélago dos Açores à ocorrência de tsunamis, já referenciada por vários autores (e.g. Andrade et al., 2006; Borges et al., 2008; Cabral, 2009), resulta quer de fatores geológicos locais, associados à recorrente atividade sísmica e vulcânica e frequente ocorrência de movimentos de vertente, quer da exposição do arquipélago a eventos distantes, associados a sismos de elevada magnitude ou a grandes movimentos de massa. O registo documental posterior ao povoamento do arquipélago (séc. XV), embora escasso, é consistente na referência a fenómenos passíveis de serem interpretados como eventos de tsunamis afectando o litoral das ilhas. O reconhecimento de um depósito de inundação na região litoral sul e leste da ilha Terceira, com estruturas sedimentares indicando um fluxo de elevada energia e contendo elementos marinhos (e.g. areia marinha contendo bioclastos), terrestres e fragmentos de utensílos humanos (cerâmica, ferro) sugere a ocorrência de um episódio de inundação marinha, de magnitude considerável, posterior ao povoamento. O depósito ocorre de forma descontínua ao longo de 20km de litoral em sectores costeiros de cota baixa e em zonas deprimidas, cuja morfologia permitiu a sua preservação, a altitudes que variam dos 0 aos 50m. Estruturas de arrancamento e clastos de solo englobados no depósito (rip-up clasts) são indicativos de um transporte de elevada energia em direção a terra. Em áreas urbanas e para o interior da ilha o seu reconhecimento é dificultado pela escassez de afloramentos, embora tenho sido reconhecido numa trincheira e em alguns taludes artificiais. Considerando a documentação histórica, um evento de tal dimensão e com estas características apenas se coaduna com o tsunami desencadeado pelo sismo de 1 de Novembro de 1755, com epicentro na margem sudoeste Ibérica.

Observações


Anexos