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Açores ► Ciência

Caldeirão, ilha do Corvo (Foto: IVAR/CIVISA)
02-04-2019 16:20
Grupo Ocidental
Quantificados os primeiros valores de CO2 emitidos para a atmosfera a partir dos lagos localizados nas ilhas do Corvo e das Flores

​Pela primeira vez realizou-se um estudo de desgaseificação difusa de dióxido de carbono (CO2) nas ilhas das Flores e do Corvo, com o intuito de se estimar o fluxo de CO2 que é emitido a partir da superfície dos lagos localizados em cada uma destas ilhas.

Na ilha do Corvo, os lagos estudados estão inseridos no interior do chamado “Caldeirão” que abrange grande parte da ilha, sendo assim um aspeto de maior importância para o estudo. Já na ilha das Flores, a investigação mostrou igualmente relevância, por a mesma apresentar o lago mais profundo dos Açores (±115m), sendo de extrema importância compreender o comportamento do CO2 em sistemas lacustres com estas condições, se recordamos os desastres ocorridos em lagos profundos como o Lago Nyos e Monoun nos Camarões, matando centenas de pessoas pela súbita libertação de CO2 que estava acumulado em profundidade.

Efetivamente, em alguns lagos da ilha das Flores, quando estratificados, o CO2 fica retido em profundidade, registando-se assim valores mais baixos (0,44 t d−1), comparativamente quando os mesmos lagos se encontram sem estratificação de origem térmica (0,75 t d−1).

A eutrofização em alguns lagos tem igualmente um impacto nos valores emitidos, já que nas massas de água onde é visível este processo, os valores de CO2 libertados são mais elevados. Em ambos os casos foi possível determinar que o carbono tem a mesma origem (biogénica), não se registando através de análises isotópicas, qualquer contributo de profundidade.

Na ilha do Corvo é emitido por dia cerca de 0,7 toneladas de CO2, o que equivale a aproximadamente 4 t km-2 d-1, enquanto que na ilha das Flores são libertados para a atmosfera 1,3 t d-1 (± 2 t km-2 d-1).

Assim, César Andrade, autor principal do estudo, e os restantes investigadores da equipa estimaram uma emissão total nestes lagos de ~ 2 t d−1, valor este importante para auxiliar trabalhos de monitorização sismovulcânica das ilhas afetas a estes sistemas lacustres, bem como a todo o arquipélago, pois eventuais incrementos nestas taxas de emissão, agora conhecidas, podem constituir evidências de alterações em profundidade.


Fontes


IVAR/CIVISA

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