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Mundo ► Fenómenos Naturais

Imagens, em várias bandas de comprimento de onda, capturadas pelos satélites Sentinel-2, mostram o fumo e as áreas queimadas (Imagem: ESA)
18-08-2017 18:00
Gronelândia
Gronelândia, terra de gelo afetada por fogos sem precedentes

Os fogos descontrolados são conhecidos principalmente por ocorrerem em regiões quentes e secas do planeta, no entanto, a Gronelândia enfrenta agora uma série de fogos sem precedentes, refletindo assim o avanço do aquecimento global. Esta ilha, considerada a maior do mundo, é banhada a norte pelo oceano Glacial Ártico, a leste pelo mar da Gronelândia, a leste e sul pelo Oceano Atlântico e a oeste pelo mar do Labrador, e o seu território está praticamente coberto por uma camada de gelo permanente.
 
Desde 2015 que se começaram a registar picos de fogos sem precedentes na Gronelândia, no entanto o ano de 2017 ultrapassa os anteriores. O fogo foi detetado pela primeira vez pelos satélites da NASA no dia 31 de julho, a cerca de 150 km a nordeste da cidade de Sisimiut. De acordo com Mark Ruminski, líder da equipa que captava as imagens para um sistema de mapeamento da Administração Nacional dos Oceanos e Atmosfera, o fenómeno parecia tão insólito que pensaram tratar-se de um erro nos dados. Porém, um piloto civil captou fotos de um incêndio perto de Sisimiut, a segunda maior cidade da Gronelândia e, alguns dias depois quando as nuvens se dissiparam, o satélite Landsat 8 da NASA e os satélites Sentinel-2 da Agência Espacial Europeia capturaram então imagens do que seria o maior dos fogos.
 
Segundo Stef Lhermitte, geocientista da Universidade de Tecnologia da Holanda que reviu os registos dos últimos 17 anos da NASA até o ano de 2015, ano a partir do qual há picos de incêndios, estes foram sempre ocasionais e de pouca amplitude, ao contrário do que se tem observado em 2015 e em 2017, onde os picos de incidência dos incêndios passaram a ser preocupantes.
 
Embora quase todo o território seja coberto por gelo que pode alcançar os 3 km de espessura, ocasionalmente podem ocorrer fogos nas margens da camada de gelo, onde o aumento da precipitação e da temperatura ajudam a promover uma vegetação mais densa. 
 
A causa deste fenómeno é incerta, mas Jessica MacCarty, geógrafa da Universidade de Miami em Oxford, Ohio, adianta que possa estar relacionado com a turfa descongelada da camada de gelo permanente. A turfa corresponde a matéria orgânica que contém carbono, e encontra-se a uma profundidade de vários metros sob a camada de solo ativo que, segundo MacCarty, é quase como um pedaço gigante de carvão. Esta teoria pode ser sustentada por dois motivos, primeiro porque os fogos são estáticos, ou seja, não avançam no território, e segundo porque o fumo é branco, o que indica que o combustível é húmido.
 
Estes incêndios podem resultar das consequências das alterações climáticas pela origem do combustível. Se este vem de uma camada de gelo permanente, significa que já possui um grau de degradação muito superior àquele que estava previsto. A perda significativa da camada de gelo permanente estava prevista para o final do século e não para 2017.


Fontes


Grist
Science Alert
EOS
Expresso

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